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Relato de paciente sobre maternidade

May 30, 2018

 

 

Falar sobre maternidade para mim é assumir desde o princípio da conversa a aceitação de uma fase que nunca imaginei que chegaria. Aquele tipo de coisa que você acha que só acontece com os outros ao seu redor, mas nunca com você. Costumo dizer que ainda não deixei de me enxergar como filha, como posso pensar em ser mãe?

Penso que nós mulheres estamos diariamente buscando o nosso espaço no mercado de trabalho, independência financeira e realização profissional, aí de repente chega o tal relógio biológico e diz “é agora ou nunca”. Poxa, num momento que estamos finalmente começando a vivenciar aquilo que nos preparamos por anos através da faculdade, especializações, refinando nosso conhecimento, agora estamos ganhando melhor, fazendo o que gostamos, começando a desenvolver projetos profissionais...vem a necessidade de tomar uma decisão importante dessa, pois mesmo que nós optemos por não ter filhos, ainda assim temos que tomar essa decisão. Me lembra o vestibular que com apenas 17 anos temos aquele momento crucial de escolher a profissão que queremos para a vida, com a grande diferença que no vestibular podemos nos arrepender e mudar a história em qualquer momento, ter filhos não.

E depois que eu fui trabalhar em uma maternidade, o que começou a me assustar não era mais a possibilidade de me aprofundar ainda mais na vida adulta me tornando mãe, mas antes disso a própria gestação. O ato de engravidar, de ter uma mudança radial do corpo, não pela vaidade, mas por não me reconhecer mais, por antes habitar um corpo o qual eu estava acostumada e agora estar num corpo cheio de mudanças e que eu não gostaria de estar, o medo constante de passar mal e finalmente o parto! No meu trabalho pude ver que o parto não é esse momento emocionante como falam, e não é que é só difícil, é muito difícil! Não é que a mulher sente dor, sente muita dor!

Há pouco tempo comentei numa roda de amigas que se um dia eu engravidasse, assim que eu completasse 37 semanas, já pediria para tirar. E todas me olharam de forma horrorosa e disseram que o certo era esperar a bolsa estourar ou pelo menos chegar às 40 semanas. E eu pensei “qual é o propósito disso tudo? Gerar um filho certo? Se com 37 semanas ele já é considerado termo, pronto ele já está feito! Tira e encerra logo isso”, mas preferi não verbalizar meu pensamento.

Se a mulher cede a pressão da sociedade em fazer parto normal (sim, acredito que rola uma pressão por todos ao redor da mulher para ela “pelo menos tentar” fazer o parto normal), a dor dura horas e horas e horas. Às vezes eu vejo acompanhante do lado dessas mulheres e chego a sentir um pouco de raiva deles porque eles nunca vão saber o que é isso, e se soubessem certamente não aguentariam. 
E quando o parto acaba e a gente pensa que acabou, não... nada acabou está só começando! Já vi mulher ter filho às 12h e às 22h o peito já estar com fissura saindo sangue! E por que? Porque muitas vezes o bebê não faz a pegada direito no peito, e quem leva a culpa? A mãe! Eu concl
ui que a amamentação faz voltarmos a lembrar que somos animais e que aquela vida que você tinha de projetos profissionais hoje em nada se diferencia daquelas cabras, leoas e corças daqueles documentários da TV.

Tudo isso que eu sinto não muda o fato de que um dia penso em ser mãe, só apenas não sei dizer se quero gerar alguém.
Na terapia tento trabalhar isso, não para me preparar para engravidar, mas para parar de sentir medo de gravidez, pois caso eu opte por não ter filhos quero tomar essa decisão por arbítrio e não para fugir de um medo mal resolvido, pois se o fizer por este motivo, muito provavelmente um dia me arrependerei.

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