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© 2017 por Multicentro Saúde. 

Relato de Paciente sobre maternidade

May 31, 2018

 

 

"Meu nome é Cinthia, tenho 32 anos e não quero ter filhos!
Não existe um momento especifico em que eu tenha decidido não ter filhos eu simplesmente sabia que não queria. Nas brincadeiras de boneca, nas brincadeiras com outras crianças, quando comecei a namorar, trabalhar, conquistar meu espaço. Desde muito cedo somos ensinadas de que este é o curso natural na vida, não existe alternativa, vamos crescer, conhecer alguém, adotar um cachorro e ter um filho, tudo muito bonito na teoria. Mas na pratica isso não funciona. Mesmo lá atrás, não sabendo tudo o que eu queria ter ou ser nessa vida eu sabia ao menos isso, que eu não tinha interesse em ser mãe de alguém.

 

Mesmo assim isso não me impediu de receber pressão por todo os lados, seja da família, amigos ou como descobri mais tarde, qualquer pessoa aparentemente está muito interessada em minha capacidade reprodutiva. As pessoas fazem " brincadeiras", comentários aparentemente inocentes, mas na maioria das vezes as reações são muito cruéis: que eu vou me arrepender, que sou egoísta, que não terei alguém para cuidar de mim na velhice, que não gosto de crianças e o que mais me fere são que nunca conhecerei o amor de verdade e que não serei uma mulher completa.

Esses são só exemplos, perdi as contas e até parei de dar valor a essas frases. Eu sei quem eu sou, não tenho que argumentar com um estranho ou com qualquer um que não seja eu, que eu gosto de crianças, que não tenho medo da velhice, que gosto da minha companhia, mas acima de tudo que sou uma mulher com todo ônus e bônus que essa palavra carrega e sou plenamente capaz de amar.

Como se a simples ideia de não querer ter filhos automaticamente me tornasse uma pessoa ruim, que não merece algo de bom, que não merece ser feliz. Esse tipo de comentário machuca, mostra a maldade escondida e pronta para ferir quem ousa pisar fora da linha, ninguém sabe além de mim de meus sonhos ou de meus medos, posso me arrepender? Claro que sim! Como posso me arrepender de qualquer outra decisão nessa vida, mas não é o medo do arrependimento que nos faz tomar esta ou aquela decisão. E sim escolher o que faz sentido e principalmente o que nos faz feliz.

Gostaria que as pessoas pudessem respeitar minha decisão, mas além disso, perceber como isso é comum, que está tudo bem, mulheres como eu não estão afrontando a ordem natural da vida, estão apenas tomando para nós o que sempre nos pertenceu que é o controle sobre o nosso corpo, controle sobre nossa vida e a decisão de para onde seguir. "

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