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Não é escolha! Como eu cheguei à conclusão de que está tudo certo em ser gay

June 23, 2017

Relato de Renato Ribeiro, 35 anos. Gay. 

 

Em uma típica noite de sábado de 1996, quando eu tinha entre 14 e 15 anos, me arrumava e ia para o bar beber vodka com meus amigos. Era o famoso "esquenta" para os bailes num clube de uma cidade do interior de Minas Gerais. No boteco, a gente pedia umas cervejas, mas a bebida principal era a vodka que comprávamos na padaria a R$ 2,99 e misturávamos com algum refrigerante igualmente barato. Éramos entre 10 e 15 adolescentes com o mesmo objetivo: pegar o maior número possível de meninas. Na festa, quase sempre eu me dava bem com as garotas e me vangloriava por isso.
"No fundo, porém, sabia exatamente que não eram elas que faziam meus olhares brilharem. E eu repeti esse comportamento por algum tempo"...

 

Desde que me entendo por gente, estava claro que curtia homens. Mas fiz minha "estreia" no mundo gay, oficialmente, aos 19 anos. Extraoficialmente, aconteceram brincadeirinhas com um coleguinha, mas era muita culpa envolvida... Hoje, estou com 36 e tenho muitas histórias para contar. Muitas delas lindas, com respeito, seriedade e cumplicidade - como acho que deve ser. Está tudo certo em ser gay. Ser homem e gostar de homens ou ser mulher e gostar de mulheres é algo tão natural como a luz do dia, né galera do Charlie Brown Jr.?. Se eu me apegar às ideias e aos valores de outras pessoas, me tornarei um eterno prisioneiro.

 

Nem sempre, no entanto, as coisas foram tão fáceis e tão claras pra mim. Para chegar nesse nível de consciência, eu tive de ralar e sofrer um bocado. Pra começo de conversa, eu cresci num meio 100% hétero com direito a pacote completo: amigos machistas e piadinhas de bicha e viado. Apesar disso, tive uma grande sorte, pois essa minha galera me trata com carinho e respeito. Não que não exista o preconceito. Existe e ele é feito de maneira velada, por debaixo dos panos. Se rola uma viagem de casais, por exemplo, eu não sou incluído. É claro que me coloco no lugar deles e sei que eles não fazem isso de sacanagem.
 

O próprio meio em que todos fomos criados nos condicionou a concluir que não é natural um homem se relacionar com outro homem.

 

Nesse processo de querer ser aceito e ganhar o respeito de todo mundo, me agarrei a uma questão que julgava como uma super vantagem: me gabava por ser um viado que parece hétero e ainda por cima joga futebol. Afff, pura besteira. Ninguém vai me respeitar por eu parecer ser isso ou aquilo. Vão me respeitar pelo caráter, pelos valores e pelas atitudes. Nessa aí de eu pagar de machinho, acabo é me lascando e perdendo muito boy interessante, pois acabam pensando que curto garotas, kkkk. Hoje, larguei isso de lado, pois sei que atraio caras que vibram na mesma frequência que a minha. Não preciso ficar de pagando de "hetero" pra encontrar o homem que sempre sonhei. É aquela história de cuidar do jardim para as borboletas virem até você.

 

Sei que falar é fácil e agir é que é muito difícil. No meio gay, tem muito preconceito também. Existem alguns subgrupos como os ursos, os afeminados, as barbies, os metidos a héteros (será que me identificava? kkk), e por aí vai. É muito comum, por exemplo, encontrar perfis nos Tinders da vida com as seguintes mensagem : "não sou e não curto afeminados"; "não aos gordos e velhos"; "só para homens da zona sul", kkkk. Quem faz isso, acaba se limitando. Óbvio. E nessa perspectiva vale dizer que no meio do universo hétero os preconceitos alcançam contornos e proporções inimagináveis de gigantescas.

Essa realidade, infelizmente, não vai deixar de existir tão cedo. Sabe-se que o Brasil não é pacífico e mata muitas pessoas por causa da orientação sexual. Mas já tivemos muitos avanços e vamos alcançar vitórias cada vez mais rápidas até pela própria condição da vida: a morte. O velho terá de dar lugar ao novo e ainda bem que nossas crianças e adolescentes são muito abertos a essa questão. No meu caso, existe o privilégio de não ter vivido situações de ser espancado ou expulso de casa. Também tenho acesso à informação e isso me assegurou muito esclarecimento. Quem não me respeita pelo fato de eu ser gay, com certeza não respeita a si própri@.

 

Nesse sentido, vale reforçar que está tudo certo em ser gay. Quero e vou realizar o sonho de me casar com o homem da minha vida e vamos construir uma família. Sim, uma família de duas pessoas (a princípio). E conforme escreveu o professor e historiador Leandro Karnal em seu Facebook,

 

"todo amor é estranho, mas a única coisa realmente estranha é alguém se preocupar com a estranheza do amor alheio".
 

E pela milésima vez: NÃO É ESCOLHA. Não sou burro, tampouco maluco, de escolher o caminho mais difícil. Quem não entender isso, precisa se tratar. Caso você seja um gay que vive uma condição repressora, ganhe a sua liberdade. Se qualifique, conquista sua independência e crie asas. Principalmente se você é lagarta e tem o sonho de virar borboleta. Se joga, bee (risos)!!! Dê um passo que o universo põe o chão embaixo.

 

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