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Medicalização da infância: o TDAH e suas controvérsias

November 4, 2017

 

 

 

 

Definitivamente não devemos medicar toda criança com Transtorno mental, devemos medicar após análise cuidadosa e usando a nossa experiência clínica e conhecimento técnico e teorico. Decididamente não devemos medicar toda criança com o diagnóstico firmado de TDAH. Existem muitos transtornos na infância que devem ser tratados com psicoterapia, psicoeducação, meditação, terapia familiar, terapia ocupacional, fonoaudiologia, ioga, acupuntura, entre outros acompanhamentos e tratamentos.

Medicar toda criança que chega ao consultório coloca em risco a vida da criança, física e emocional, pois as medicações e psicotrópicos em geral tem efeitos colaterais, especialmente se não usados da forma correta e sob supervisão e acompanhamento médico regular.

 

Um dos tópicos mais polêmicos envolvendo o movimento contra a medicalização na infância é no diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). O TDAH envolve sintomas como desatenção, hiperatividade e impulsividade. Este transtorno é bem prevalente, tem mais de 100 anos e atinge 5% das crianças em todo o mundo. O tratamento envolve a psicoeducação, a psicoterapia cognitiva comportamental, o acompanhamento familiar e o uso de psicoestimulantes, caso a criança tenha o diagnóstico confirmado.
 

A medicação mais prescrita hoje em dia para crianças com TDAH é a classe dos psicoestimulantes como, por exemplo, a Ritalina. Em dez anos, houve um aumento de cerca de 775% no consumo brasileiro de Ritalina , nome comercial pelo qual é mais conhecida a substância Metilfenidato, um conhecido psicoestimulante e usado em todos os lugares do mundo.

 

O aumento no consumo desta medicação envolve um melhor acesso ao tratamento ou reflete o uso abusivo da medicação? Temos que olhar caso a caso, uma pergunta tão complexa não tem uma resposta simples.

 

Medidas tem sido tomadas para evitar abusos desta medicação Metilfenidato em crianças pelo SUS, agora os profissionais do CAPS IJ (Centro de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil) controlam o fornecimento desta medicação após análise cuidadosa da equipe transdisciplinar, inclusive após análise médica e psicológica. Isto tem evitado exageros na prescrição e tem rendido bons frutos.

A avaliação neuropsicológica em casos duvidosos também ajuda bastante em esclarecer o diagnóstico de TDAH e a gravidade da desatenção, o que pode ajudar na necessidade ou não da medicação e na análise de outras doenças mentais coexistindo em um mesmo paciente

 

Sem dúvida, o tema é bastante controverso e pode gerar muitas dúvidas. Existe muita polêmica quando se pensa em medicar ou não uma criança. Enquanto médico, vejo muitos benefícios em se medicar uma criança ou adolescente em casos graves, por exemplo uma depressão com risco de suicídio ou um paciente autista bastante agressivo. Mas tenho visto uma tendência a tentar a simplificação de casos e de doenças na infância e hipermedicar uma criança não é solução para o problema. É preciso analisar todo o contexto familiar, social e escolar da criança para se entender melhor esta criança e ter um olhar mais amplo sobre ela e sua família. Vale lembrar que a agitação da criança pode ser reflexo de problemas familiares ou mesmo de bullying escolar em alguns casos ou até sintomas de abuso físico, moral ou sexual. A violência doméstica é sempre um problema a ser considerado em alguns casos de crianças agitadas e desobedientes.

Um tópico que surge neste contexto é a seguinte pergunta: quando medicar uma criança? O problema ou sintoma é mesmo da criança ou do ambiente onde ela está inserida?

Quando o(s) sintoma(s) é(são) reflexo(s) do contexto familiar, é importante se tratar estes problemas antes de medicar uma criança. Por outro lado, em casos que a criança é o problema principal, vale a pena medicá-la para restauração das funcionalidade da criança e da sua felicidade.

Quando devemos meficar uma criança?

 

Listei abaixo problemas clássicos em que medicamos uma criança. Seguem alguns exemplos:

 

1-criança com depressão grave e/ou risco suicida

2-agresssividade em crianças ou adolescentes

3-criança em estado de insonia grave e com agitação diurna e/ou noturna

4-criança com o diagnóstico de TDAH(Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) com desatenção e prejuízo funcional importante e/ou queda importante do rendimento escolar e social

5-paciente autista bem agitado e com inabilidade social grave

6-adolescente com diagnóstico de transtorno de conduta com repercussões nas esferas escolares e sociais.

 

 

A equipe do Multicentro pode fazer esta avaliação neuropsicológica e médica para análise minuciosa do caso e avaliar a necessidade ou não de medicação e/ou psicoterapia.

Portanto a conclusão que se pode chegar nestes casos é a complexidade e polêmica deste tema, hipermedicação na infância. Tem casos em que se vê abusos de medicação psicotrópica e outros casos de falta de acesso à avaliação e aos serviços de saúde mental. Devemos analisar melhor caso a caso, ter critérios bem definidos na hora de medicar uma criança e o maior critério deve ser mesmo a gravidade do quadro. Devemos analisar melhor as nossas crianças para que elas tenham um futuro mais próspero e mais digno.

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