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© 2017 por Multicentro Saúde. 

Meu processo de sair do armário levou muitos anos.

June 20, 2017

Relato de Marcella Crtisina Gozzo, 22 anos, lésbica.

 

 

 

Me descobri muito nova, com 12 anos. 

Na época, minha mãe descobriu que eu trocava mensagens com outra menina pela internet e tentou de toda forma "me curar":

 

"Passei com a psicóloga do colégio e fui arrastada para a igreja, onde o pastor tentava me "exorcizar"

 

 A pressão vinha de todos os lados e tentavam me convencer de que o certo era o padrão homem e mulher - até porque Deus havia feito Adão e Eva e somente heterossexuais podiam gerar uma criança.

Eu pedia perdão para Deus, sempre culpada, mas não podia evitar, porque no fundo eu sabia que não gostava de meninos.   Escondi isso da maioria das pessoas ao meu redor, mas não tentei mentir para mim em nenhum momento. 

 

Seguiu assim até eu ficar com a primeira menina e começarmos a namorar. Saíamos escondidas e poucos amigos sabiam daquele relacionamento. 

A vigilância em casa e na escola era constante e eu me embolava em mentiras. Sofri muito bullying dos colegas de sala, que sempre desconfiavam do que viam nas minhas redes sociais. Risinhos, olhares tortos, piadinhas e até expressões como "sapatona", "não dá pra ser feliz sem um homem", "você fica com mulher porque nunca conheceu um homem de verdade"... Isso sem contar o assédio nas ruas.

 

Mas as coisas mudaram muito com o tempo. Aos 17, quase todos os meus amigos já sabiam sobre minha sexualidade e eu aceitei finalmente que era lésbica. Em casa, não falávamos sobre o assunto. Na rua, eu era outra pessoa, mais livre e feliz. O bullying no colégio parou. Passei a frequentar outros lugares, onde sofria menos assédio. Parecia que a mente das pessoas estava mudando, sei lá. Tudo isso se concretizou na faculdade, onde as pessoas foram tolerantes e me acolheram sem preconceitos.


Aos 18, conheci minha atual namorada e ela, mais velha, era completamente assumida. Iniciei, assim, um processo de term inar a saída do armário. Contei tudo para o meu irmão, depois para o meu pai, que lidaram super bem. Pouco mais tarde, nem precisei dizer nada, mas minha avó deixou claro que me aceitaria independente de qualquer coisa. Abri isso para os amigos que ainda não sabiam e passei a militar pela causa LGBT. Ser mulher lésbica virou luta, orgulho, resistência! 


Mas faltava me assumir de fato para minha mãe.

 

Para ela, amar outra mulher era doença, não era de Deus, nunca seria normal. Isso veio acontecer apenas no ano passado e nos afastou ainda mais. Ela finge que minha namorada não existe e não falamos nunca sobre relacionamentos. Às vezes, ela aparece com frases da Bíblia e acredita que a religião pode me "libertar desse mal". Claro que isso me afeta e silencia, mas aprendi, com tantos anos encoberta, a não abrir mão do que sinto e acredito para fazer a vontade de outra pessoa. Quem eu sou vem antes de qualquer coisa.

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